Há basicamente duas forma ligeiramente diferentes de ver a metafísica: a primeira [a metafísica restrita] considera-a como o conhecimento — pela razão, e não por uma revelação religiosa — de realidades imateriais ou além das realidades físicas materiais. A segunda — que engloba a primeira e é, por isso, lata — tem como objecto o Absoluto, ou seja, o fundamento incondicional das coisas, isto é a “ciência do ser enquanto ser” de Aristóteles, ou ontologia.
Depois de definida a metafísica, vamos a este texto. O que ele pretende basicamente dizer é que as ilações de causalidade provenientes da observação e da constatação estatística de fenómenos — científica no sentido neopositivista — decorre da metafísica. Resumindo: o que esse texto pretende dizer é que a lógica tem a sua raiz na metafísica, o que é óbvio.

Coloco aqui um parêntesis para dizer que a estatística se baseia no passado e, por isso, baseia-se em “probabilidades pesadas” de repetição futura dos fenómenos observados no passado. Ou seja, também faz parte da metafísica afirmar que não existe nenhuma certeza de que uma determinada lei científica, baseada em estatística e homologada por via do método estatístico, será necessariamente válida no futuro.

Porém, o que acontece com a ciência neopositivista (ou empírica) é que a lógica é colocada ao serviço do empirismo, ou seja, tudo o que não corrobore o empirismo materialista, mesmo que sendo lógico, é considerado absurdo pela ciência neopositivista ou empirista. Dou um exemplo, com o neodarwinismo.
Para os cientistas materialistas, o materialismo vem em primeiro lugar, e só depois vem a ciência — é o materialismo que utiliza a ciência, e não o contrário disto. E, neste caso, a lógica é estritamente utilizada para corroborar a prioridade do materialismo — tudo o que vá para além dessa prioridade é considerado absurdo, e nega-se assim a própria lógica; a lógica é, também ela, colocada ao serviço do materialismo. E se o materialismo é a “primeira verdade”, então a teoria materialista da evolução terá que ser verdadeira, pura e simplesmente por uma questão de dedução lógica! E independentemente de indícios ou mesmo evidências que coloquem em causa a lógica dessa prioridade... !
Portanto, vemos, no neopositivimo, como a lógica é manipulada e como a metafísica é previamente restrita aos fins que se pretendem atingir. Neste caso concreto, o problema metafísico é o de saber se “racionalidade e materialismo são sinónimos”. E podemos também dizer que a ciência neopositivista [ou empírica] utiliza a lógica — e por isso, a metafísica, através do método de modus ponens ---, até ao limite que lhe convém para negar a própria lógica e a própria metafísica! Seria como se eu utilizasse o veneno da serpente para me curar da sua mordida: é basicamente este o alcance metafísico da ciência neopositivista e/ou empírica.
Por último: a ciência neopositivista não explica nada: apenas descreve uma parte da realidade. A procura da explicação das coisas e do seu fundamento [ontologia], essa, é o objecto da metafísica.
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