"A ciência é um processo que usa a dúvida para evitar encravar nos erros. Principalmente no auto-engano."
António Silva
Esta definição de “ciência” faz lembrar a justificação científica de António Silva — no filme “O Costa do Castelo” — para a demora do arranque do funcionamento do aparelho de rádio a válvulas:
“São as bobinas que ainda estão frias... Não vê você que a onda bate na lâmpada e recua, e daí o som quer sair e não pode; tem de aquecer o carburador. [novo ruído] Olhe, olhe, já está a levantar fervura.”

No sentido grego, ciência (episteme) é um saber superior, universal (que se opõe à opinião particular, ou doxa) e teórico (que difere de aptidões práticas).
No sentido moderno, a ciência pode ser o conhecimento científico positivo (ou "ciência experimental") que se apoia em critérios precisos de validação por verificação; mas também pode ser a “ciência formal”, como é o caso da matemática (e a lógica), baseadas na dedução a partir de axiomas — neste último tipo de ciência não há qualquer necessidade de verificação experimental. E depois temos as “ciências humanas” que, de facto, se distinguem das ciências da natureza.
A definição em epígrafe de “ciência” é redutora porque circunscreve a ciência ao experimentalismo e empirismo; e o empirismo só nos leva a soluções empíricas.